23 de abril de 2016

Longbourn: Amor e Coragem


Autor:
Jo Baker
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 392
Editora:
Editorial Presença

Ano:
2014

ISBN:
978-989-2334264
Título original: Longbourn
 
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Sou mais uma das inúmeras fãs de Jane Austen (supresa!) e da sua obra maior: Orgulho e Preconceito. No meio literário há várias obras derivadas da sua obra-prima, escritas por autores mais ou menos conhecidas do grande público, das quais li A independência de uma mulher, de Colleen McCullough, e Morte em Pemberley, de P.D. James. Achei os dois livros fracos mas não foi por isso que deixei de dar uma oportunidade a Longbourn: Amor e Coragem quando li a contracapa.

O texto elogiava a proeza da autora em pegar no clássico de Austen e reimaginá-lo a partir do ponto de vista dos criados: «enquanto no andar de cima tudo gira em torno das perspetivas de casamento das meninas Bennet, no andar de baixo os criados vivem os seus próprios dramas pessoais, as suas paixões e angústias.» Pareceu-me interessante ao ponto de investir o meu tempo e dinheiro nesta «comédia social inteligente».

O livro tem algumas partes bem conseguidas: a personagem principal, Sarah, é apelativa e de uma enorme sensibilidade e é uma narradora competente - o «ponto de vista dos criados» é basicamente o seu (vá, a outra criada, Polly, tem algumas intervenções, mas são breves e muito espaçadas) -; e a descrição acerca das diferenças de classes é interessante. Menos positivo são as referências às personagens de Jane Austen, pouco abonatórias, principalmente para com as irmãs Bennet mais velhas, o que deturpa as personagens originais. No seu todo é um livro maçador, ao que não ajuda ser longo demais, o que me obrigou a avançar apenas meia dúzia de páginas em vários serões.

Jane Austen foi única e não estou à espera de encontrar um livro que se compare a Orgulho e Preconceito; isso seria bacoco. Mas um que fosse bom já seria bem-vindo.  

***
(mediano/razoável)

13 de março de 2016

Um caso tipicamente Inglês (série Selchester #1)



Autor:
Elizabeth Edmondson
Género:
Crime
Idioma: Português

Páginas: 368
Editora:
Edições Asa

Ano:
2016

ISBN:
978-989-2334264
Título original: A man of some repute (A very English mistery #1)
 
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Hugo Hawksworth e a irmã Georgia mudam-se de Londres para Selchester quando aquele é destacado para um outro departamento dos Serviços Secretos, longe do reboliço da capital. 

Desanimados com a perspectiva de viver num lugarejo onde não se passa nada, rapidamente são surpreendidos com o ambiente, as pessoas e a descoberta de um esqueleto no castelo onde estão alojados temporariamente, dando início a uma investigação empolgante. Afinal, a vida no campo é uma surpresa!

O livro é publicitado como sendo um mix da elegância de Downton Abbey e da astúcia de Agatha Christie. Um caso tipicamente Inglês de Downton Abbey tem os aristocratas e as mansões e de Agatha Christie tem um crime por resolver envolto nas habituais tramas e intrigas de localidade pequena.

Dito isto, e apesar de esperar mais do livro, gostei. Gostei mais das personagens e menos do mistério, gostei mais do ambiente de cidade pequena com todas as suas dinâmicas características e menos do final, que me pareceu algo atabalhoado.

Ao pesquisar mais sobre a série (que tem mais livros), descobri que a autora faleceu no inicio deste ano, deixando uma obra de 9 livros, dos quais conto ler mais alguns. Que descanse em paz.  

***
(mediano/razoável)

1 de março de 2016

The birds & and other stories


Autor:
Daphne du Maurier
Género:
Contos
Idioma: Inglês

Páginas: 208
Editora:
Little, Brown and Company (Kindle)

Ano:
2013
 

ASIN: B00GR5N2Q6
 
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Quem não se lembra do apocalipse aviário de Hitchcock, baseado no clássico da autora, Os Pássaros? Eu lembro-me bastante bem e essa foi a razão principal de ter lido este livro. 

O que descobri foi surpreendente: o conto original, nada tendo a ver com o argumento cinematográfico, consegue superá-lo.

The birds & and other stories é uma colecção de seis contos, todos eles marcantes, detentores de uma voz própria e de uma beleza gótica inspiradora.

THE BIRDS foi a inspiração para o filme do mestre do suspense; causa a mesma inquietude que o filme, apesar do cenário e dos protagonistas serem diferentes: um agricultor da costa inglesa narra o cenário gradualmente aterrorizador do que acontece quando as aves ganham uma consciência colectiva e decidem atacar durante a noite, permanecendo vigilantes durante o dia. Pelos olhos de um homem simples, vamos percebendo o aproximar de um reino de terror com asas e bico, e as tentativas impotentes para o deter.

MONTE VERITÁ conta a história de um culto misterioso que atrai mulheres com a promessa da eterna juventude.
Foi o menos interessante.
 

APPLE TREE é sobre um homem que enviuvou recentemente e que começa a ver numa macieira do seu quintal várias semelhanças com a falecida esposa, desfiando o rosário de como esta era apática e pessimista e que ter morrido foi uma libertação de uma vida sem cor. Esta foi a minha história favorita, muito rica em nuances.

LITTLE PHOTOGRAPHER é sobre uma marquesa rica e sofisticada mas aborrecida até à última casa. Durante as férias de verão, inicia um caso com um fotógrafo local
mas rapidamente percebe que não pode controlar tudo o que a rodeia.

KISS ME AGAN STRANGER.
numa ida ao cinema, o narrador apaixona-se por uma funcionária e segue-a até casa, acabando num cemitério a meio da noite. Esta foi a história mais ambígua e inquietante pois dá azo a mais do que uma interpretação e é uma piscadela de olho ao mundo do sobrenatural.

OLD MAN fecha com chave d´ouro, um conto bonito que dá uma reviravolta inesperada nas últimas frases. 




No geral, gostei bastante e nunca pensei que du Maurier tivesse uma voz tão dark; claramente uma autora a explorar.  

****
(bom)

14 de fevereiro de 2016

A princesa de gelo (Fjallbacka #1)


Autor:
Camilla Lackberg
Género:
Thriller
Idioma: Português

Páginas: 413
Editora:
Bis (Leya)

Ano:
2013

ISBN:
 
978-989-6602376
Título original: Isprinsessan (Fjallbacka #1)
 
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Não sou de ceder a golpes publicitários, mas como fã assumidérrima da Dama do Crime, ao passear-me na secção dos livros policiais e topar uma autora desconhecida a ser publicitada como «a nova Agatha Christie que vem do frio», é garante de pegar e ler as primeiras páginas. 

Foi assim que dei por mim a comprar o livro de estreia de Camila Lackberg, numa vaga recente de traduções de policiais nórdicos que estão a assolar as livrarias e segura de que por 10 euros não arruinava o orçamento familiar.

Este é o primeiro título da colecção Fjallbacka, uma pequena localidade costeira sueca, onde a autora nasceu, e cenário fétiche de Lackberg. A dupla de serviço são a escritora Erica Falck e o detective Patrik Hedstrom, que, aqui, se lançam na investigação do homicídio de Alexandra, uma amiga de infância de Erica.

O cenário branco e aconchegante da pequena cidade costeira torna-se claustrofóbico à medida que vamos percebendo a dinâmica dos habitantes. Isto para mim foi um ponto positivo porque gosto muito deste ambiente de cidade pequena aparentemente idílica onde há muita mente podre e muitos segredos. Menos positivo foi 1) o facto deter lido uma edição traduzida do inglês, com algumas expressões claramente infelizes de tão literais (é esse o preço a pagar por um livro de bolso?); e 2) algumas descrições e diálogos muito pouco naturais e estereotipados que mancham a narrativa ao aparecer do nada (novamente a tradução? aqui já não estou tão certa). 

Não é (de jeito nenhum) uma Agatha Christie (essa é/foi única!), mas o final convenceu-me o suficiente para querer ler outro livro da autora. Entretanto, comprei outros policiais nórdicos, e estou entusiasmada com a perspectiva de leitura, mas este, para já, entreteve mas está aquém de espectacular.  

***
(mediano/razoável)

3 de janeiro de 2016

Au revoir 2015, salut 2016!


Bom ano, leitores do bué de livros!

2015 já se foi e, em termos de leituras, não foi o mais famoso para mim. Tentei ler cerca de 2 livros por mês mas com a mudança de ares (de emprego e, sobretudo, de país), li imensa coisa "oficial" (legislação, documentos mil, folhetos, manuais) mas a leitura recreativa ressentiu-se, e fiquei-me pelos 21 títulos (dos quais 18 foram comentados aqui no blog).

http://barrybradford.com/wp-content/uploads/Tax-rates-summary-2015-2016.jpg

O kindle continua a ser um aliado precioso mas quando não há tempo, não há e-reader que nos valha. Enfim... este ano novo que está a dar os primeiros passos será mais fértil em leituras, espero.

Do melhor que li em 2015, recomendo vivamente os seguintes livros (podem aceder à crítica/apontamento respectivo clicando em cima da imagem):

 http://a-minha-estante.blogspot.fr/2015/09/a-gata-do-dalai-lama_6.html

Se ainda não os leram, está na hora de colmatar essa lacuna! Faço ainda uma menção honrosa à trilogia Wayward Pines e a´O leitor, ambos já adaptados à televisão e cinema respectivamente.

Houve algumas desilusões pelo meio (como o regresso de Poirot pela mão de Sophie Hannah; e a minha estreia literária com a aclamada Marilynne Robinson que não correu pelo melhor) mas dessas não reza a história; não houve um livro mau per se e felizmente o balanço final foi positivo.

 Um 2016 em cheio e boas leituras!

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