23 de abril de 2015

Dia mundial do Livro (23 de Abril)

Comemora-se hoje mais um Dia Mundial do Livro, escolhido especificamente (desde 1995) por ser um dia em que nasceram ou morreram vários escritores célebres, entre os quais Shakespeare, Cervantes e Nabokov.

Ler é um prazer (e cada vez mais um luxo para muitos). É um investimento que tem um retorno imensurável, um deleite que nos faz ir mais além, sentir, pensar, sonhar.

 Fonte: Getty Images
Prazer solitário, evoca momentos deliciosos e memórias aconchegantes, presos no cheiro do papel manuseado, num marcador de páginas usado ou em inúmeras notas à margem de páginas amareladas.

Ler incomoda-nos, inconforma-nos, inquieta-nos, emociona-nos, e ainda bem que assim é!
Vejam o vídeo abaixo, uma curta-metragem "Ler devia ser proibido"; a máxima é adorável: «ler pode tornar as pessoas perigosamente mais humanas!»
  



4 de abril de 2015

O leitor


Autor:
Bernhard Schlink
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 144
Editora:
Edições Asa

Ano:
2009
ISBN: 978-972-4120096
Tradução: Fátima Freire de Andrade
Título original: Der Vorleser 
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O Leitor, escrito em 1995, é, desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido mundialmente. Traduzido em 45 línguas, recebeu vários prémios literários e foi adaptado ao cinema, onde ganhou um Óscar para Melhor Actriz.
O autor é um juiz reformado e escritor alemão, que dá aulas de Direito e Filosofia. Vi o filme há alguns anos mas o livro tem estado em espera até há pouco.

Michael Berg tem 15 anos e adoece com hepatite. Um dia, na rua, sente-se mal e é ajudado por uma mulher, Hanna, vinte anos mais velha. Entre os dois nasce uma relação pontuada por um ritual inalterável: o banho, o sexo e a leitura, onde o rapaz lê alto para a amante. Michael vive o seu  primeiro amor intensamente e fica destroçado quando Hanna parte sem aviso.

Reencontra-a anos mais tarde, ele um estudante de Direito num seminário sobre os crimes nazis, ela no banco dos réus com outros ex-guardas de um campo de concentração. Durante o processo, Michael é confrontado com um segredo de Hanna, uma revelação que explica alguns acontecimentos passados e que pode ser a chave para a libertar de uma vida na prisão.

O livro está dividido em três partes, que marcam as principais etapas da vida de Michael, o nosso narrador. Inicialmente focado numa narração levemente erótica do primeiro amor, evolui para uma reflexão dolorosa sobre a geração cúmplice dos nazis, a braços com a vergonha das suas acções, julgada pelos seus descendentes, em busca de respostas e uma explicação racional, que poderá não existir nem ser descoberta.

O Leitor é um bom livro, apesar de desconfortável. É breve mas complexo e fica na memória pelas questões que levanta e para as quais é difícil encontrar uma resposta satisfatória. Um livro poderoso, com algumas passagens poéticas e uma homenagem profunda e irreverente ao poder da literatura e a muitas coisas mais. A ler. 

****
(bom)
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