31 de agosto de 2014

I remember nothing: and other reflections

Autor: Nora Ephron
Género:
Humor
Idioma: Inglês

Páginas: 137
Editora: Knopf (Kindle edition)
Ano: 2010
ISBN:  978-0-307-59560-7
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Nora Ephron, falecida em 2012, tornou-se famosa por êxitos de bilheteira como Você tem uma Mensagem, When Harry Met Sally e Sintonia de Amor. No campo das letras, distinguiu-se pelos seus artigos femininos  na revista Esquire e pelos livros espirituosos sobre a condição feminina, de que Não gosto do meu pescoço - e outros humores, achaques e amores da vida das mulheres e este I remember nothing: and other reflections são um exemplo.

Gosto da frontalidade e do humor de Nora. Este livro alterna capítulos longos com outros de 3 páginas, onde a autora descreve a sua evolução como jornalista numa época em que as mulheres eram relegadas para tarefas menores, como é ter um rolo de carne com o seu nome (num restaurante de um amigo), como lidar com um fracasso de bilheteira ou como o fenómeno do e-mail passou de benção a maldição, sempre num tom divertido e passando de um assunto sério para um trivial com desprendimento.

O livro foi publicado 2 anos antes da morte da autora, e é engraçado como Nora aflora o assunto da morte constantemente sem o referir directamente, focando-se antes no avançar da idade, na dificuldade em reconhecermos que estamos velhos e perceber como a memória (e outras coisas) começa a falhar.

O livro que li dela antes deste falava mais directamente de morte e de doença, mas conseguia ser mais leve. Nora não se referia à família como aqui (o alcoolismo da mãe, que morreu ao 57, e o corte de relações com uma das irmãs, por motivos de herança) e é possível perceber que tem alguns assuntos pendentes mas dá para perceber que o livro não funciona como terapia, embora o tom seja confessional.
 
Continuo a não ser grande apreciador da filmografia de Nora Ephron, mas acho-a uma mulher interessante e adoro o seu sentido de humor; o seu legado é positivo em todos os aspectos e sei que leria todos os seus livros futuros.

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(mediano/razoável)

16 de agosto de 2014

20th century ghosts


Autor: Joe Hill
Género:
Contos/Terror
Idioma: Inglês

Páginas: 383
Editora: Gollancz (Kindle edition)
Ano: 2008
ISBN:  978-0-575-08308-0
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Gosto de terror: de o ler e de ver séries e filmes. Apanho grandes "barretes" e muita coisa mázinha, mas quando acontece o contrário, é uma alegria! Apetece dizer a toda a gente!
 
Joe Hill é dos mais recentes autores premiados no género e com todo o mérito. Filho do horror icon Stephen King, provou que tem qualidade e valor por si só; o meu livro favorito dele é o fantástico Cornos (o filme estreia este ano). Quando gostamos de um autor, é uma delícia descobrir, e ler, as obras mais antigas e é isso que tenho feito.

20th century ghosts é um livro de contos, nem todos de terror; os meus favoritos nem são os mais sombrios. Há contos bons e outros menos assinaláveis; no meio de 16 histórias, há muita variedade. Ficam na memória os que realmente gostei:

- Best New Horror: Eddie Carroll é um editor desanimado. Quando lê Buttonboy, não descansa enquanto não arranja uma forma de conhecer o autor e propor-lhe a edição de uma história tão perturbadora que não pode ser verdade...

- 20th Century Ghost

- Pop Art: uma premissa inicialmente tão ridícula não deixa adivinhar a melhor história de todo o livro; dois rapazes outsiders tornam-se os melhores amigos, apesar de um deles ser insuflável... dos melhores contos que já li, com uma mensagem muito bonita. 

 
- You Will Hear the Locust Sing

- Abraham's Boys


- Better Than Home


- The Black Phone: um rapaz é raptado e trancado numa cave; numa parede está um telefone antigo que começa a tocar, apesar de estar desligado...


- In the Rundown


- The Cape: Eric é um miúdo de 7 anos que consegue voar graças a uma capa que a mãe lhe costurou; já adulto, tenta perceber porque tem uma vida tão miserável sendo tão especial.


- Last Breath
: o Dr. Allinger mantém há décadas o Museu do Silêncio, composto por dezenas de frascos que contêm o último fôlego dos moribundos, entre anónimos e famosos. O museu atrai cépticos e crentes, mas a todos o ex-médico recebe com simpatia e mostra orgulhosamente a engenhoca que lhe permite reunir a sua colecção peculiar.

- Dead-Wood


- The Widow's Breakfast


- Bobby Conroy Comes Back from the Dead


- My Father's Mask
: um adolescente é forçado a ir de fim-de-semana com os pais, que contam as histórias mais mirabolantes e inventam os jogos mais absurdos apesar do filho já ser crescido; desta vez, dizem que as "pessoas do baralho de cartas" vêm buscá-los e têm de fugir... uma história estranha e memorável.  

- Voluntary Committal
: Nolan é um rapaz normal com um irmão esquizofrénico, com quem não consegue comunicar. Morris passa os dias de volta dos seus fortes feitos de cartão, autênticos labirintos de que apenas ele consegue escapar.

- Scheherazade’s Typewriter 


Algumas histórias são bastante boas, imaginativas ao ponto de pensarmos «onde é que ele foi desencantar esta ideia?» e outras nem por isso, o habitual num livro de contos.

Joe Hill é (ainda e infelizmente) um autor algo desconhecido em Portugal. É pena. Fica a divulgação.

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(bom)

3 de agosto de 2014

I hate everyone... starting with me


Autor: Joan Rivers
Género:
Humor
Idioma: Inglês

Páginas: 271
Editora: Berkley (Kindle edition)
Ano: 2012
ISBN:  978-1-101-58088-2
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I hate everyone... starting with me é um livro escrito pela comediante norte-americana Joan Rivers. Aqui no país, não sei se muita gente a conhecerá; entra num programa chamado Fashion Police, que é transmitido no canal E! (para quem tem cabo, per supuesto!)
Nunca tinha lido nada dela mas pelo que vi na televisão, o tom não foi surpreendente. É o género de linguagem e humor que a caracterizam quando a vejo na televisão: linguagem cáustica e crítica, implicando com tudo e mais alguma coisa, desde a aparência pessoal à família. Joan aposta num humor corrosivo e agressivo e num discurso que mistura xenofobia e insultos gratuitos.
Love may be a many-splendored thing, but hate makes the world go round. If you think I’m kidding, just watch the six o’clock news. The first twenty-nine minutes are all about dictators and murderers and terrorists and maniacs and, worst of all, real housewives. And then, at the very end of the show, there’s a thirty second human-interest story about some schmuck who married his cat. I rest my case.

Fazendo jus ao título do livro, ela odeia toda a gente, ela própria incluída: goza imenso acerca das dezenas de plásticas e tratamentos que já fez (tem 80 anos e está tão repuxada que já pagou metade da hipoteca do cirurgião plástico), brinca com os tiques e tradições familiares judeus (Joan é judia), inclui-se nas várias críticas da vida fútil de Hollywood.

I hate everyone... starting with me está dividido pelos vários ódios de estimação da autora: manias, modas, hábitos, esterótipos, tiques das celebridades, os dogmas de Hollywood.

Obviamente que ler um livro que começa cada parágrafo com «odeio...» não nos eleva o espírito, mas este é um livro de humor e tem o seu enquadramento; quem não gostar do género de piadas (há inúmeros géneros de humor), pode ler outra coisa.
Dentro do género, gostei; há alguma repetição de piadas nos capítulos finais, mas nada grave. Arrancou-me algumas gargalhadas, o que não é nada mau, principalmente depois de um dia de trabalho menos... alegre.
I hate it when I read an obit that says, “Molly Fishman, 102, suddenly.” Excuse me? She’s 102! How sudden could it have been? She’s been old since the Truman administration. The woman’s been hunched over in her wheelchair, with her tongue on the footrest since 1992; shouldn’t someone have seen her demise coming???
Livros como este são bons para ler e pôr a circular no grupo de amigos; a chance de uma releitura é escassa e dá-se a hipótese a outros de se divertirem com o bota-abaixo omnipresente (ou de se sentirem ofendidos).

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(mediano/razoável)
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